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Segunda, Setembro 21, 2020

Por que os troglóbios recebem uma tratativa diferente das demais espécies cavernícolas nos estudos espeleológicos?

 

Troglo o que? Os organismos encontrados em cavernas e outros compartimentos de sistemas subterrâneos são classificados conforme o grau de associação que apresentam com estes. De forma geral, organismos que utilizam as cavernas para alguma finalidade (p. ex.: abrigo), mas que necessariamente precisam sair dela para cumprir seu ciclo de vida são chamados troglóxenos (do grego tróglē = buraco, ξένος (-xeno) = estranho, estrangeiro). Já organismos capazes de estabelecer populações tanto no ambiente subterrâneo quanto de superfície são chamados de troglófilos (do grego φίλος (phílos,ē,on) = que gosta, que ama, amigo). Existem ainda organismos que são capazes de estabelecer populações estritamente no meio subterrâneo, onde passam toda sua vida, os chamados troglóbios (do grego bíos = vida). 

As espécies troglóbias apresentam uma série de adaptações para que consigam viver em um ambiente desprovido de luz e com pouca disponibilidade de alimento. Dessa forma, mesmo que não apresentem olhos ou tenham olhos reduzidos, tem outras formas de perceber o ambiente, alimento e predadores. Muitas espécies têm antenas e pernas mais alongadas que seus parentes da superfície, além de maior número de órgãos sensoriais. Além disso, por se restringirem a viver no ambiente subterrâneo na maioria das vezes as espécies troglóbias apresentam distribuição geográfica muito restrita, ocorrendo em uma ou poucas cavernas. 

Toda espécie tem sua importância em termos das funções ecológicas que desempenha no ambiente em que vive. Mas por que então os troglóbios são tratados de forma diferente pela legislação que norteia os estudos espeleológicos?

Por dois motivos principais: primeiro por apresentarem tantas peculiaridades ecológico-evolutivas como para reproduzir, se proteger de predadores, localizar o alimento, estratégias de armazenar a energia consumida por mais tempo, entre tantas outras adaptações a estes ambientes de condições extremas. Além disso, como vivem estritamente no ambiente subterrâneo (e em função disso apresentam distribuição restrita), estão muito mais propensos a serem extintos ou terem suas populações reduzidas drasticamente. Isso se torna ainda mais agravante se considerarmos que as cavernas estão inseridas em rochas de grande interesse econômico, ou localizadas em paisagens fragmentadas por atividades agropecuárias, o que pode tornar as espécies troglóbias ainda mais vulneráveis. Por isso a legislação tem uma tratativa diferentes para elas. Cavernas que abrigam espécies troglóbias raras e/ou endêmicas se enquadram no grau de relevância máximo da atual legislação, o que garante sua proteção integral, bem como sua área (externa) de influência. Caso haja troglóbios, mas não-raros ou endêmicos, é feito um outro tipo de avaliação e as cavernas de alta e média relevância até podem sofrer impactos negativos irreversíveis, porém mediante medidas compensatórias. Em outro post a gente trata disso!

 



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