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Terça, Julho 07, 2020

22 de maio - Dia Internacional da Biodiversidade

Embora as cavernas sejam tidas como ambientes predominantemente mais pobres em recursos alimentares em função da ausência de luz e, portanto, de organismos fotossintetizantes, ainda assim existe uma grande diversidade de espécies associadas a esses ambientes. Além disso, alguns tipos de rochas, como as ferríferas, apresentam uma grande quantidade de canalículos que interligam as macrocavidades, e nestes pequenos espaços na rocha também há vida! É onde muitas espécies de invertebrados vivem preferencialmente, ou utilizam como vias para transitar entre cavernas. Em um primeiro momento podem parecer ambientes desprovidos de vida, mas ao adentar uma caverna é necessário observar com olhos atentos ao virar um bloco ou pedaço de tronco no chão, nas paredes, poças d’água e manchas de guano. É nesses locais onde grande parte da fauna que vive associada às cavernas é encontrada.

Atualmente só para o Brasil já foram registradas mais de 20000 cavernas, nas quais já foram encontradas milhares de espécies entre invertebrados, morcegos e microorganismos, muitos deles ainda desconhecidos para a ciência. Pesquisadores tem descoberto e descrito espécies novas constantemente, e também gêneros, famílias e até subordens novas encontradas em cavernas no Brasil e no mundo, o que reforça o quão pouco sabemos da biodiversidade associada aos ambientes subterrâneos. Essas espécies muitas vezes apresentam características curiosas como a reversão sexual (insetos fêmeas com estruturas semelhantes a um pênis), organismos adaptados a ficarem sem se alimentar por anos, como Proteus anguinus, uma salamandra encontrada em cavernas na Europa, podem ser completamente despigmentados e sem olhos, outros capazes de emitir luz, como os chamados glow worms em cavernas da Nova Zelândia. Algumas espécies vivem estritamente no ambiente subterrâneo (os chamados troglóbios), os quais muitas vezes são encontrados em uma única ou poucas cavernas. Além disso, outras espécies podem apresentar populações estabelecidas tanto no ambiente cavernícola quanto externo, participando da ciclagem de nutrientes em ambos ambientes, e também do fluxo gênico entre eles. Outras espécies utilizam as cavidades como locais de abrigo, reprodução ou nidificação, desempenhando no ambiente externo importantes funções ecológicas como a polinização, e fornecendo recursos orgânicos para quem habita as cavernas por meio de guano e carcaças. Os micro-organismos também marcam presença, podendo ser em alguns raros casos os produtores primários nestes ambientes, assim como as plantas são no ambiente externo, porém por meio de processos químicos distintos. 

Apesar do fato de que bioespeleologia, a ciência que se destina a estudar a vida nos ambientes subterrâneos, tem continuamente avançado no conhecimento desta temática, muito pouco ainda se sabe sobre a biodiversidade associada a estes ecossistemas, especialmente em países megadiversos como o Brasil. No entanto, a raridade, distribuição restrita, histórias evolutivas curiosas que podem revelar ressaltam a importância de prezar por sua conservação, especialmente considerando os impactos antrópicos que recorrentemente incidem sobre as cavernas e regiões de entorno. Todo dia deveria ser levado a sério a tarefa de preservar essa incrível diversidade que vive na escuridão, especialmente hoje, 22 de maio, dia em que celebramos o Dia Internacional da Biodiversidade.

 

FUNGOS PRODUTORES DE TANASE SÃO ENCONTRADOS EM CAVERNAS BRASILEIRAS

Em artigo publicado pela revista “African Journal of Microbiology Research”, no mês de fevereiro deste ano, pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA), localizada no Sul de Minas Gerais, apresentaram a descoberta de fungos produtores da enzima Tanase em cavernas de três estados brasileiros. A enzima Tanase é de grande aplicabilidade comercial, sendo utilizada principalmente na produção de ácido gálico. A partir deste ácido, são sintetizados produtos como o propil galato, um antioxidante para a indústria de alimentos. Além disso, a enzima também é utilizada no processamento de bebidas (cervejas, vinhos, café, e chás instantâneos), clarificação de sucos, tratamento de efluentes contaminados, e ainda na indústria farmacêutica.



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