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Domingo, Novembro 29, 2020

Por que os troglóbios recebem uma tratativa diferente das demais espécies cavernícolas nos estudos espeleológicos?

 

Troglo o que? Os organismos encontrados em cavernas e outros compartimentos de sistemas subterrâneos são classificados conforme o grau de associação que apresentam com estes. De forma geral, organismos que utilizam as cavernas para alguma finalidade (p. ex.: abrigo), mas que necessariamente precisam sair dela para cumprir seu ciclo de vida são chamados troglóxenos (do grego tróglē = buraco, ξένος (-xeno) = estranho, estrangeiro). Já organismos capazes de estabelecer populações tanto no ambiente subterrâneo quanto de superfície são chamados de troglófilos (do grego φίλος (phílos,ē,on) = que gosta, que ama, amigo). Existem ainda organismos que são capazes de estabelecer populações estritamente no meio subterrâneo, onde passam toda sua vida, os chamados troglóbios (do grego bíos = vida). 

As espécies troglóbias apresentam uma série de adaptações para que consigam viver em um ambiente desprovido de luz e com pouca disponibilidade de alimento. Dessa forma, mesmo que não apresentem olhos ou tenham olhos reduzidos, tem outras formas de perceber o ambiente, alimento e predadores. Muitas espécies têm antenas e pernas mais alongadas que seus parentes da superfície, além de maior número de órgãos sensoriais. Além disso, por se restringirem a viver no ambiente subterrâneo na maioria das vezes as espécies troglóbias apresentam distribuição geográfica muito restrita, ocorrendo em uma ou poucas cavernas. 

Toda espécie tem sua importância em termos das funções ecológicas que desempenha no ambiente em que vive. Mas por que então os troglóbios são tratados de forma diferente pela legislação que norteia os estudos espeleológicos?

Por dois motivos principais: primeiro por apresentarem tantas peculiaridades ecológico-evolutivas como para reproduzir, se proteger de predadores, localizar o alimento, estratégias de armazenar a energia consumida por mais tempo, entre tantas outras adaptações a estes ambientes de condições extremas. Além disso, como vivem estritamente no ambiente subterrâneo (e em função disso apresentam distribuição restrita), estão muito mais propensos a serem extintos ou terem suas populações reduzidas drasticamente. Isso se torna ainda mais agravante se considerarmos que as cavernas estão inseridas em rochas de grande interesse econômico, ou localizadas em paisagens fragmentadas por atividades agropecuárias, o que pode tornar as espécies troglóbias ainda mais vulneráveis. Por isso a legislação tem uma tratativa diferentes para elas. Cavernas que abrigam espécies troglóbias raras e/ou endêmicas se enquadram no grau de relevância máximo da atual legislação, o que garante sua proteção integral, bem como sua área (externa) de influência. Caso haja troglóbios, mas não-raros ou endêmicos, é feito um outro tipo de avaliação e as cavernas de alta e média relevância até podem sofrer impactos negativos irreversíveis, porém mediante medidas compensatórias. Em outro post a gente trata disso!

 

Práticas sustentáveis nas empresas.

1. Adote a documentação eletrônica.

Ao adotar um sistema de documentação eletrônica é possível, de uma só vez, reduzir o consumo de papel, economizar espaço de arquivamento, aumentar a segurança de documentos importantes e confidenciais, além de agilizar buscas e economizar tempo. E tudo isso com a praticidade de enviar documentos instantaneamente a longas distâncias sem gastar com a postagem.

2. Gerencie os resíduos.

Instalar lixeiras separadas para o descarte de recicláveis, incentivar o descarte correto por todos os colaboradores e assim instalar tal hábito na cultura na empresa. Além disso podem ser adotadas algumas práticas de reaproveitamento de resíduos como utilizar folhas sulfites impressas em apenas um lado como rascunho.

 

3. Diminua o uso dos copos plásticos.

Incentive cada funcionário a ter seu próprio copo, caneta e/ou garrafa reutilizável.

 

4. Repense a compra de produtos com embalagens.

Além do tempo que o material demora para degradar por completo, devemos pensar a respeito do quanto  foi retirado da natureza para confecção das embalagens, de preferências para embalagens de empresas que prezam pela sustentabilidade e materiais reciclados.

5. Análise dos dados de consumo.

Esse acompanhamento é relevante porque possibilita à empresa compreender o quanto suas iniciativas a favor de práticas de sustentabilidade estão realmente funcionando. Logo, com base nos dados analisados, a empresa pode aperfeiçoar suas ações de caráter positivo, melhorar as que não estão sendo eficientes e planejar novas estratégias para se tornar mais sustentável.

 

6.Treine as lideranças e envolva a equipe.

As pessoas devem se sentir parte atuante nas ações implementadas, entendendo sua importância, seu porquê e os benefícios que essas práticas trazem a médio e longo prazos.Os líderes e gestores têm que estar plenamente convencidos do valor e da efetividade das ações sustentáveis, bem como da relevância do retorno trazido para a empresa. Também é preciso que obtenham conhecimentos específicos sobre o assunto. Vale a pena investir em treinamento para quem ocupa cargos estratégicos dentro da corporação.

22 de maio - Dia Internacional da Biodiversidade

 

Embora as cavernas sejam tidas como ambientes predominantemente mais pobres em recursos alimentares em função da ausência de luz e, portanto, de organismos fotossintetizantes, ainda assim existe uma grande diversidade de espécies associadas a esses ambientes. Além disso, alguns tipos de rochas, como as ferríferas, apresentam uma grande quantidade de canalículos que interligam as macrocavidades, e nestes pequenos espaços na rocha também há vida! É onde muitas espécies de invertebrados vivem preferencialmente, ou utilizam como vias para transitar entre cavernas. Em um primeiro momento podem parecer ambientes desprovidos de vida, mas ao adentar uma caverna é necessário observar com olhos atentos ao virar um bloco ou pedaço de tronco no chão, nas paredes, poças d’água e manchas de guano. É nesses locais onde grande parte da fauna que vive associada às cavernas é encontrada.

Atualmente só para o Brasil já foram registradas mais de 20000 cavernas, nas quais já foram encontradas milhares de espécies entre invertebrados, morcegos e microorganismos, muitos deles ainda desconhecidos para a ciência. Pesquisadores tem descoberto e descrito espécies novas constantemente, e também gêneros, famílias e até subordens novas encontradas em cavernas no Brasil e no mundo, o que reforça o quão pouco sabemos da biodiversidade associada aos ambientes subterrâneos. Essas espécies muitas vezes apresentam características curiosas como a reversão sexual (insetos fêmeas com estruturas semelhantes a um pênis), organismos adaptados a ficarem sem se alimentar por anos, como Proteus anguinus, uma salamandra encontrada em cavernas na Europa, podem ser completamente despigmentados e sem olhos, outros capazes de emitir luz, como os chamados glow worms em cavernas da Nova Zelândia. Algumas espécies vivem estritamente no ambiente subterrâneo (os chamados troglóbios), os quais muitas vezes são encontrados em uma única ou poucas cavernas. Além disso, outras espécies podem apresentar populações estabelecidas tanto no ambiente cavernícola quanto externo, participando da ciclagem de nutrientes em ambos ambientes, e também do fluxo gênico entre eles. Outras espécies utilizam as cavidades como locais de abrigo, reprodução ou nidificação, desempenhando no ambiente externo importantes funções ecológicas como a polinização, e fornecendo recursos orgânicos para quem habita as cavernas por meio de guano e carcaças. Os micro-organismos também marcam presença, podendo ser em alguns raros casos os produtores primários nestes ambientes, assim como as plantas são no ambiente externo, porém por meio de processos químicos distintos. 

Apesar do fato de que bioespeleologia, a ciência que se destina a estudar a vida nos ambientes subterrâneos, tem continuamente avançado no conhecimento desta temática, muito pouco ainda se sabe sobre a biodiversidade associada a estes ecossistemas, especialmente em países megadiversos como o Brasil. No entanto, a raridade, distribuição restrita, histórias evolutivas curiosas que podem revelar ressaltam a importância de prezar por sua conservação, especialmente considerando os impactos antrópicos que recorrentemente incidem sobre as cavernas e regiões de entorno. Todo dia deveria ser levado a sério a tarefa de preservar essa incrível diversidade que vive na escuridão, especialmente hoje, 22 de maio, dia em que celebramos o Dia Internacional da Biodiversidade.

 

FUNGOS PRODUTORES DE TANASE SÃO ENCONTRADOS EM CAVERNAS BRASILEIRAS

Em artigo publicado pela revista “African Journal of Microbiology Research”, no mês de fevereiro deste ano, pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA), localizada no Sul de Minas Gerais, apresentaram a descoberta de fungos produtores da enzima Tanase em cavernas de três estados brasileiros. A enzima Tanase é de grande aplicabilidade comercial, sendo utilizada principalmente na produção de ácido gálico. A partir deste ácido, são sintetizados produtos como o propil galato, um antioxidante para a indústria de alimentos. Além disso, a enzima também é utilizada no processamento de bebidas (cervejas, vinhos, café, e chás instantâneos), clarificação de sucos, tratamento de efluentes contaminados, e ainda na indústria farmacêutica.

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